O Cerrado na Cozinha


Há pouco mais de um ano, nascia o Minha Atual Obsessão. A ideia era (ainda é) falar sobre tudo aquilo que me apaixona – ao contrário do Perdeu, Playboy, voltado exclusivamente para relacionamentos e para a interação homem-mulher (aliás, um tema que também me apaixona – e me intriga. Muito).

Apesar das viagens serem uma grande obsessão, quem me acompanha sabe que gasto a maior parte dos meus posts para falar sobre comida.

Acho que é fácil entender. Afinal, viagem a gente faz duas, três por ANO. Comer? No meu caso, ao menos seis vezes por DIA! Como não ser absoluta e incrivelmente obcecada?

Pensando nisso, meu pai veio com uma sugestão. Que tal criar uma seção experimental no blog para falar de um tipo diferente de gastronomia, que usa ingredientes produzidos nas redondezas de Brasília; em muitos casos, plantas nativas do Cerrado?

Como bem disse meu pai, “com esta iniciativa, não pretendo combater, confrontar ou negar tantas alternativas de abordagem da gastronomia e da alimentação que o blog continuará a veicular. Busco oferecer uma via de interação com o ambiente que nos cerca, que podemos e queremos valorizar”.

Bonito, né?!


Ainda nas palavras dele, essa “união da produção e alimentação por meio da gastronomia com ingredientes provenientes do Cerrado do Distrito Federal é, ainda, um exercício fugaz – a oferta de ingredientes é tipicamente sazonal – e limitado – além de grande parte da cobertura vegetal original de nossas terras ter sido removida e substituída por pastagens e plantios de grãos, poucos agricultores se dedicam a preservar suas fitofisionomias”.

Para nós, o bacana é curtir essa possibilidade de preparar, comer e descobrir – ou redescobrir – alimentos que não fazem parte de nosso cotidiano. Como se trata de algo experimental, estamos abertos a interações, sugestões e revisões.

Para que essa nova coluna do blog funcione adequadamente, contarei com o apoio e a participação de Maria Nazaré (minha mãe), gastrônoma, que supervisionará o preparo dos alimentos e a elaboração de receitas; e de Mauro Márcio (meu pai), agrônomo, que fornecerá os ingredientes e dará as informações ilustrativas que acompanham cada uma das postagens.

Os ingredientes provêm da Fazendinha Arvoredo, localizada no Núcleo Rural de Tabatinga, Planaltina-DF, onde está em curso um projeto de restauração da vegetação nativa do Cerrado.


Para dar uma ideia da interação da gastronomia com o projeto de restauração, dentre as 270 plantas do Cerrado identificadas na Fazendinha Arvoredo, há 45 espécies com potencial gastronômico. Dentre elas, cito algumas:
Araçá (Psidium firmum): fruto comestível
Araticum (Annona crassiflora): fruto comestível, doces, geleias, sucos, licores, tortas, iogurtes, sorvetes
Baru (Dipteryx alata): amêndoa comestível (natural ou torrada), pé-de-moleque e paçoca
Cagaita (Eugenia dysenterica): fruto comestível, doces, geleias, sorvetes e sucos
Jatobá (Hymenaea stigonocarpa): fruto comestível, mingau, pães, bolos e biscoitos
Pequi (Caryocar brasiliense): fruto comestível, óleo
Xodó ou Macaúba (Acrocomia aculeata): palmito, fécula, seiva, polpa do coco, óleo da amêndoa


Espero que vocês curtam a nova coluna tanto quanto nós!


Fontes:
Dos nomes científicos: Santos, F. F. de M. Fragmentos dos Certões no Cerrado do Distrito Federal. Relatório da Flora Fanerogâmica Cerradícola da Fazendinha Arvoredo. Planaltina, Núcleo Rural de Tabatinga, 2014. v. 2. 34 p. Série Mehr Shatten!
Dos usos gastronômicos: Almeida, S. P. et al. Cerrado: espécies vegetais úteis. Planaltina: EMBRAPA-CPAC, 1998. 464 p.

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