O DF é muito bom

Agora que já falei sobre os programas imperdíveis para quem visita a capital do México, chegou a vez dos muito bons. É, estou falando daqueles passeios que são uma delícia, ainda que não causem uma combustão interna. Se tempo não é um problema, caia de cabeça na lista a seguir.

Como boa representante do sexo feminino, vou começar pelas compras. Aêêê!

Se o seu coração bate por artesanato colorido, criativo e acessível, não deixe de passar no Mercado La Ciudadela. Amplo, traz muitas opções para quem procura esqueletos, cerâmicas, prata, velas, caveiras y mucho, mucho más. Aos sábados, tem uma ferinha especial em San Ángel, na Plaza San Jacinto. Há bem menos opções que no Mercado La Ciudadela, mas é uma delícia andar por entre barraquinhas em uma praça com cara de cidade de interior. Parece que todo fim de semana é dia de festa. Tem bandinha, gente comendo na praça, crianças, doces... Uma riqueza! Na praça, tem ainda duas lojas com produtos de altíssima qualidade! É a Maria Bonita e o Ida y Vuelta. Entre, nem que seja para babar.

Sinceramente, nunca vi um parque tão cheio, tão bem aproveitado, tão agregador como o Bosque de Chapultepec (deixa o Central Park no chinelo). Milhares de mexicanos curtem (especialmente aos domingos) os 648 hectares desse bosque, que fica bem no meio da cidade. É como se não houvesse engarrafamento, conta a pagar, poluição, violência. Como se os problemas permanecessem congelados por um dia e tudo fosse só diversão. Pra lá de democrático, ele abriga um zoológico, uma feira, lagos, museus, o monumento a Los Niños Héroes e o fuefo Castelo de Chapultepec. Antiga residência dos presidentes do México, o castelo é recheado de extensos terraços e jardins bem cuidados (e dá de presente uma vista linda do DF). Como se fosse pouco, acolhe o Museu Nacional de História. Para apreciar tanta belezura, mais uma vez, prepare as pernoquitas roliças. É ladeira que não acaba mais!

(Vitral do Castelo)

Construída sobre um antigo templo asteca, a Catedral Metropolitana impressiona com uma fachada ricamente ornamentada de barroco espanhol, cúpula neoclássica e campanários gêmeos de 67 metros. A mistura de estilos arquitetônicos funciona. Talvez porque esteja no México e só no México o caos parece ter graça. Cada um se apaixona por alguma coisa. Tem o pêndulo, que acompanha a inclinação da Catedral, deixando marcas no chão. Curiosíssimo. Tem os órgãos de tubo e coro, favoritos da Tati, minha companheira de viagem. E tem a estátua de São Ramón, com pés recheados de cadeados e fitas de devotas. Elas acreditam que o ‘mimo’ ajude a acabar com as fofocas que correm em seu vilarejo. Nem preciso dizer que foi minha parte favorita! :)

(Sim, no México também tem piriguete mal falada)

Belo, belo, belo. O Palácio de Belas Artes é belo! Visto por fora, por dentro, de baixo pra cima ou de cima pra baixo. Belo e valiosíssimo! As paredes dos andares 2 e 3 são recheadas de obras dos muralistas mais famosos do México: Rufino Tamayo, Diego Rivera, David Alfaros Siqueiros e José Clemente Orozco. Do lado do Palácio fica o pequeno, mas impecável, Parque Alameda Central.

Para um momento mais espiritualizado, visite a Vila de Guadalupe, o mais sagrado santuário católico romano da América Latina (e mais visitado do mundo). Teria sido lá que a Virgem apareceu para o índio Juan Diego em 1531, pedindo a construção de uma capela (ele é o primeiro santo indígena das Américas, canonizado em 2002). A primeira basílica, consagrada em 1709, está afundando por causa do solo macio. A segunda, mais nova, fica ao lado e vive cheia. Mas há muito mais para apreciar por lá. Capelas, jardins, uma grande praça e até uma loja, cheia de artigos religiosos.

(Basílica antiga)

Por último, tem o passeio de trajinera, embarcação plana, pelos jardins flutuantes de Xochimilco (ou Chocomilk, nas palavras da Tati! Rs). Esse é aquele programa que, dependendo da pessoa, do humor de quem conduz o barco ou do dia da visita, pode subir para a lista de imperdíveis ou cair para as furadas. A ideia dos canais de água, construídos pelos astecas, é genial. E o caminho é formado por um cenário incrível de plantas e bichos. Mas a água de cor escura, o lixo boiando e as casas faveladas à margem dão uma depreciada no lugar. Ainda assim, o passeio de uma hora a bordo daquela embarcação colorida, cafona e tão mexicana foi uma delícia! Dica: o aluguel da trajinera custa 350 pesos por hora e não por PESSOA. Ou seja, pode combinar com um grupo de passear na mesma embarcação e dividir os custos!

(Canais de água dos astecas)

*Não consegui visitar o Palácio Nacional, sede do governo mexicano. Ele está fechado há quase dois meses por conta de manifestações que tomam conta da cidade! Mas só de saber que as paredes de granito e tezontle abrigam o mural mais famoso de Diego Rivera, Ciclo da História do México, já sei que o local entraria para esta lista.

Mercado La Ciudadela
Aberto: diariamente
Horário: 9h a 19h (no domingo, fecha às 18h)
Custo: zero
Como chegar: metrô Balderas

El Bazaar Sábado
Aberto: Sábados
Horário: 11h a 17h
Custo: zero
Como chegar: de táxi ou com o metrobus La Bombilla

Castelo de Chapultepec
Aberto: 3ª a domingo
Horários: 9h a 16h30
Custo: 57 pesos
Como chegar: metrô Chapultepec

Catedral Metropolitana
Aberta: diariamente
Horário: 8h a 20h
Custo: zero
Como chegar: metrô Zócalo

Palácio de Belas Artes
Aberto: 3ª a domingo
Horário: 10h a 18h
Custo: 35 pesos
Como chegar: metrô Bellas Artes

Vila de Guadalupe
Aberta: diariamente
Horário: 6h a 21h
Custo: zero
Como chegar: metrô Deportivo 18 de Marzo ou La Villa/Basílica

Jardins Flutuantes de Xochimilco
Aberto: diariamente
Horário: livre
Custo: 350 pesos por hora (não por pessoa)
Como chegar: metrô Tasqueña + Veículo Leve sobre Trilhos até a periferia da vila de Xochimilco + táxi até os embarcaderos

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