Minha segunda obsessão

Quer coisa mais gostosa do que conhecer o mundo? Imagina só. Viver novas culturas, mergulhar em realidades totalmente diferentes da sua, provar pratos exóticos...

É por isso que eu amo viajar! É como se, ao sair de casa, você saísse também do seu mundinho, da sua rotina, dos seus problemas, e colocasse tudo em perspectiva. Não que a situação em que me encontro seja negativa. Nada disso. Mas é muito bom poder contemplar a realidade a distância e ver que as coisas não são tão ruins quanto se pensa. Ou então que tem muita coisa que vai bem do lado de cá.

E eu curto todas as etapas da viagem. O antes, o durante e o depois.

Planejar é viver antecipadamente aquele sonho. Você imagina a cama confortável, a comida saborosa, os passeios mágicos, as risadas, as baladas, as compras, o aprendizado. No durante, você vive tudo isso que sonhou, intensamente, ainda que as coisas saiam bem diferente do planejado. Você está ali, curtindo o momento, se entregando, enquanto tudo está em ebulição. E aí vem o depois: rever fotos, lembrar das histórias, rir pela quinta vez daquela piada interna, reunir os amigos para compartilhar as descobertas, distribuir os presentes...

Toda viagem tem um significado especial, mas meu próximo destino tem uma história muito particular.

Sempre quis conhecer o México. Desde criança. No colégio (de freiras), em uma das gincanas, cada turma deveria representar um país. À minha, coube o México. Foi amor à primeira vista. Cresci apaixonada pela bandeira deles, com suas cores fortes e vibrantes, a águia com a serpente no bico, os cactos. Confesso que à época não fui atrás de muita informação. Mas, aos poucos, o México tomou a iniciativa de se aproximar de mim.

Ouvia, vidrada, as histórias de quem havia conhecido o país. Sonhava com ruínas, o passado de glórias, o legado dos astecas. Já mais velha, passei a idolatrar Frida Kahlo, sua história de vida, suas tragédias mais íntimas, a casa azul em Coyoacán, o amor dilacerador por Diego, as pinturas atormentadas e tão cheias de vida...

Também tenho um fascínio inexplicável por caveiras. Se pudesse, teria um cantinho em casa dedicado só a elas.

Admiro ainda a forma como os mexicanos celebram a morte. A mudança para um lugar melhor, sem dívidas, cobranças, depressão ou câncer. Nós, ao contrário, amargamos profundamente a perda de cada ente querido.

Por tudo isso, estou que não me aguento. Claro que existe a possibilidade de ver frustradas minhas expectativas, pois elas são grandes e muitas. Ainda assim, estou em clima de festa.

E como eu sempre digo que toda viagem excelente começa com chatos imprevistos (todos solucionáveis), estou ainda mais esperançosa. Eu e minha parceira de viagem já tivemos nossa quota de terror e suspense. O passaporte dela, com o visto, sumiu do sistema de controle norte-americano. Justo eles. Tão certinhos. Tão responsáveis e pontuais. Graças a Deus (e ao Pedro), ele foi encontrado hoje, aos 45 minutos do segundo tempo.

Agora, a poucas horas da partida, estou pronta para viver um dos meus maiores sonhos e, quem sabe, ter certeza de que minha alma é mesmo mexicana.

Comentários

  1. Aproveitem muuuuito!! Tenho certeza de que a viagem será ótima, até pq, vcs 2 juntas é diversão garantida!! Boa viagem, amiga!! Bjksss

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  2. Obrigada, Sheyloca!! Estamos aproveitando muito já!

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